Quanto devo poupar por mês? Como dividir as despesas no meu orçamento?

Uma das dúvidas mais comuns de quem está começando a organizar suas finanças é quanto guardar por mês.

Se você se programar para investir apenas o que sobrar no final do mês, sinto muito: a tendência é que não sobre nada.

Então o melhor é já “salvar” uma quantia logo que entrar o salário, e usar a reserva de emergência para cobrir despesas inesperadas. 😉

Para ajudar a decidir quanto você vai se programar para economizar, resumimos aqui as opiniões de alguns autores consagrados. Veja qual se adapta mais à sua visão, e comece a investir!

Quanto poupar, segundo O Homem mais rico da Babilônia

O homem mais rico da Babilônia é um dos maiores clássicos da área de finanças pessoais no mundo.

O autor propõe uma abordagem conhecida como Pague-se Primeiro (pay yourself first), em que você investe assim que receber o seu salário.

Segundo O homem mais rico da Babilônia, o valor mínimo a ser investido é 10% do que você ganha.

Caso você tenha dívidas, mesmo assim ele recomenda que use 10% dos ganhos para investir e 20% para pagar a dívida. Com os 70% restantes da renda, você administra suas despesas.

O orçamento 50/30/20

Outra abordagem bem simples é defendida pela senadora Elizabeth Warren, professora de Direito em Harvard e especialista em endividamento privado e falências familiares.

Após estudar por décadas os motivos pelos quais as famílias “quebravam”, ela chegou à conclusão de que os principais motivos eram:

  • Perda de emprego;
  • Problemas de saúde;
  • Separação familiar (divórcio ou falecimento do cônjuge).

A partir disso, ela propõe que você divida seu orçamento da seguinte maneira:

50% com Necessidades

30% com Desejos

20% com Investimentos e Pagamentos de Dívidas

Quem não quer organizar suas finanças sempre vai achar uma desculpa para classificar todos os seus gastos como Necessidades.

Afinal, quem vive sem TV por assinatura, academia, jantares fora, roupas e bolsas de grife, sem trocar de carro e sem viajar pelo mundo, né? *ironia, caso você não tenha percebido*

Então, faça-se a seguinte pergunta sobre cada gasto seu:

SE EU PERDESSE MEU EMPREGO, ESSE GASTO SERIA MANTIDO?

Se você perder o emprego, pode cortar o pagamento do aluguel? Não.

Se você perder o emprego, pode deixar de fazer supermercado? Não.

Se você perder o emprego, pode deixar de viajar no feriadão? Pode, e vai.

Mas calma! Você não vai deixar de fazer esse gasto! Só que em vez de estar na conta Necessidades, ele entra na dos Desejos. Você pode gastar 30% dos seus ganhos com eles!

Parece razoável, não?

Então, relembrando:

O orçamento segundo Os segredos da mente milionária

Outro clássico das finanças pessoais é Os segredos da mente milionária.

Apesar do título sensacionalista (tem que ter, senão o livro não chama a atenção!), o autor é bastante razoável em seus argumentos.

Sobre nosso assunto, o autor apresenta a seguinte abordagem, que é um pouco mais complexa que as anteriores:

50% para Necessidades Básicas

10% para a “Conta da Diversão”: dinheiro a ser gasto com extravagâncias, como comer em lugares carros, fazer passeios etc. O objetivo primordial dessa conta é a sua satisfação.

10% para Poupança para Despesas de Longo Prazo;

10% para Instrução Financeira: segundo o autor, você deve investir em você mesmo, melhorando sua capacidade de tomar decisões de investimento.

10% para Doações;

10% para a “Conta da Liberdade Financeira”: segundo o autor, “Esse dinheiro só deve ser usado para investir e para comprar ou criar fluxos de rendimentos passivos.”. Sobre fluxo de rendimentos passivos, já conversamos nesse post: Como conquistar uma aposentadoria tranquila?

É uma abordagem mais complexa e trabalhosa, mas a poupança em si também fecha 20% (10% para despesas de longo prazo e 10% para liberdade financeira).

O movimento FIRE

Do lado mais extremo do espectro de poupadores, está o pessoal que busca a independência financeira. Para esses, a taxa de poupança tem que ser altíssima e, em muitos casos, inviável.

Para esse público, 10% de poupança é quase nada. Muitos têm taxas de poupança (saving rates) superiores a 80% da renda!

Se você tiver curiosidade de conhecer como pensa o pessoal adepto do FIRE (Financial Independence, Retire Early), visite o blog de um dos líderes do movimento, o Mr Money Mustache. Nesse post, ele fala sobre taxa de poupança e a quantidade de anos necessários para a independência financeira:

http://www.mrmoneymustache.com/2012/01/13/the-shockingly-simple-math-behind-early-retirement/

Não é para todo mundo…

Conclusão

Não importa a fonte, a conclusão é a mesma: menos de 10%, nem pensar.

Você tem conseguido guardar esse percentual? Se sim, parabéns!

Se não, é hora de começar a registrar suas despesas e, no final de um período de 3 meses, fazer uma avaliação honesta desses gastos.

O que realmente é Necessidade, e o que é Desejo? Se você perdesse sua fonte de renda, o que seria cortado?

E, como diz o mestre Gustavo Cerbasi no ótimo “Mais Tempo, Mais Dinheiro” (resenha em breve!):

Um bom planejamento financeiro constitui-se em gastar bem nosso dinheiro presente e poupar o mínimo necessário para assegurar que nosso bom padrão de consumo não falte em nenhum momento da vida. Um bom planejamento, portanto, traduz-se em ter uma vida presente rica e contar com a certeza de que essa riqueza não faltará amanhã. É Presente + Futuro!

Até a próxima!

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